Crítica fotográfica

A partir de críticas que tive em fotos minhas, gostaria de abrir esse debate:

O que é uma crítica a uma fotografia?

Mais especificamente, gostaria de propor a seguinte cadeia de perguntas:

  1. Toda fotografia deve ser ciritcada no sentido de encontrar defeitos?

  2. O crítico deve ser capaz de separar sua prefer~encia fotográfica e estética da crítica que faz?

  3. Toda crítica é válida?

  4. O criticado deve levar em consideração toda crítica ou não?

  5. Qual o critério para separa o joio do trigo?

  6. Quais os elementos que são digamos a parte objetiva das críticas?

Bom Ivan, acho que esse tópico é bastante interessante, vamos por partes

Eu encaro a crítica como qualquer informação sobre algo, no caso da foto, sobre a foto, e como sempre carregada de informação pessoal, acho impossível se criticar algo (ainda mais arte) sem uma forte carga de idéias pessoais., vamos ver agora pergunta a pergunta

  1. Não vejo a crítica como encontrar defeitos, mas sim como falar a leitura que se faz, procurando dizer exatamente a linha de raciocínio que se teve, o apontar possíveis “falhas” nada mais é do que mostrar outras alternativas e principalmente propor coisas novas a quem fez a obra

  2. Ivan, isso depende muito da crítica, quando a crítica é profissional, o crítico fala sim de suas preferências e aliás ao fazer a crítica sempre esdcolhemos padrões de comparação e é a partir destes que tecemos nossos comentários

  3. Se a crítica for dada como forma de se iniciar uma discussão saudável, com certeza é válida. A questão é pra crítica poder ser válida depende também de quem recebe a crítica.

  4. Eu levo em consideração todas as críticas, quando ouço um não gostei, procuro saber pq e me atendo aos detalhes, levar a crítica a sério não é mudar a sua forma de fazer, mas sim fazer com que seu trabalho tenha sentido a partir do momento que interage com quem o vê, isso é claro se o trabalho for concebido como expressão artística.

  5. Não existe separação, tudo deve ser levado em conta, ou vc faz algo que só deve ter ressonância numa parcela diminuta da população e só mostra seu trabalho pra esse pessoal, ou então aceita que seu trabalho vai ser lido e transformado pelo olhar do outro e respeita isso, procurando entender todo o ruído da comunicação que levou seu trabalho a ser entendido de forma errada. Acho que a partir do momento em que mostramos algo para o público estamos a mercê de críticas e estas críticas podem nos levar a caminhos totalmente diferentes do esperado. é claro que é muito melhor um não gostei devido a isso, do que um não gostei e ponto final.

  6. A parte objetiva está naquilo que de certa forma possui regras. no caso da foto: fotometria (a mensagem transmitida teve o apoio da medição de luz escolhida?), composição (as estratégias apresentadas não são conflitantes? surgiu algo interessante na foto? algum elemento atrapalha a harmonia?) e em menor escala, a própria mensagem transmitida, o restante é puramente emocional.

Como disse antes, acho que ao mostrar qualquer coisa que tenha feito para qualquer pessoa já me coloco aberto a críticas e na verdade as espero, como forma avaliar e melhorar um trabalho.

Eu acho que uma resposta só é válida para sua pergunta:

Tudo depende de quem recebe a crítica.

Minhas concepções.

  1. Apenas as fotos utilitárias, que servem a algum propósito. Essas fotos geralmente são regidas por normas relativas ao seu uso posterior. Uma foto publicitária, por exemplo, precisa obedecer à sua utilidade. Em outros casos, encontrar defeitos significa impor ao autor uma referência subjetiva.

  2. Precisar, não precisa. O crítico pode falar o que bem entender. Agora, quando é capaz de separar “o que eu faria” de “o que o outro faz”, a crítica é mais útil para ambos.

  3. Em relação à análise da foto em si, não necessariamente. Mas acredito que toda manifestação desse tipo revela referências, preconceitos e ideais que podem render debates interessantes, se proporcionarem uma tomada de consciência tanto para o crítico como para o criticado.

  4. Se a crítica é feita a partir de um referencial fechado do crítico e o debate não evolui, a crítica corre o risco de perder o sentido e pode ser desconsiderada.

  5. Críticas boas são aquelas que levam em consideração não apenas a relação observador-foto, mas todos os outros aspectos anteriores e posteriores que já citei. O crítico bom é aquele que pode explicar sua própria crítica em relação a aspectos de história pessoal e formação, entre outras coisas. Ou seja, a boa crítica é aquela que faz uma leitura consciente de seus próprios vieses.

  6. Não sei se é possível uma crítica totalmente objetiva. Talvez a observação dos aspectos técnicos da foto. Paradoxalmente, acredito que uma certa objetividade pode ser dar através da “leitura” da foto, ou seja, do relato da própria percepção, apesar de isso já ser subjetivo. A interpretação da foto conterá uma subjetividade exponencial, uma vez que utilizará a percepção, já subjetiva, para basear concepções anteriores.

Pôxa Ivan, você é o cara que faz as perguntas difíceis por aqui… Heheheheh…

No fundo, concordo com o Alex, no sentido que considero ser uma crítica qualquer coisa que se deseje dizer sobre uma foto. Apesar disso, é um fato que a palavra crítica costuma ser usada com sentido negativo, isto é, o de desaprovação, de apontar defeitos mesmo.

No geral, só me preocupam mesmo as críticas virtuosas, aquelas em que o crítico percebe faltar ao autor algum conhecimento ou experiência ou qualquer coisa que esteja limitando a consciência plena do processo criativo.

Boas críticas, mas as boas mesmo, são aquelas que ajudam o fotógrafo a crescer. Mas elas têm o sério problema de ser difíceis de fazer, além de demoradas… E muitas vezes não temos tempo nem paciência de fazê-las, dado o bombardeio de posts, a sobrecarga de informação que a internet proporciona.

Por esses motivos é que eu mesmo não faço muitas críticas por aqui!

Abraços!

– thiago

Bem, eu mesmo vou responder a mim mesmo, considerando o primeiro post apenas um lançamento de assunto e me engajando no processo de responder como os demais colegas.


  1. Toda fotografia deve ser ciritcada no sentido de encontrar defeitos?

Não, absolutamente. Acho que o principal da crítica é observar se a fotografia ou qualquer outra obra tem uma idéia-presidente evidente e se os demais elementos estão subordinados a essa idéia. Minhas críticas são sempre a partir desta identificação da idéia-presidente, e se esta é o suficientemente definida não creio que seja importante observar mais nada. Se ela foi insuficientemente perseguida, isso é um elemento a se apontar.

  1. O crítico deve ser capaz de separar sua preferência fotográfica e estética da crítica que faz?

No mais possível sim. Considero especialmente sem sentido críticas do tipo “eu faria assim ou assado”, pois evidenciam a incapacidade do crítico de separar-se da ação de criticar e também evidencia certa incapacidade de lidar com a alteridade. Necesariamente os outros fazem diferentemente de nós, e aceitar isso é essencial, do contrário a crítica não é crítica, mas mera manifestção do ego do crítico.

  1. Toda crítica é válida?

De forma alguma. Todos temos lembrança de pessoas que falam a respeito de desenhos do Picasso “meu sobrinho de três anos faz igualzinho!”. Evidentemente tal crítica é irrelevante. Embora todos possam manifestar o gostei-não gostei, as críticas não devem ser todas levadas em consideração, nem mesmo se forem elogiosas.

  1. O criticado deve levar em consideração toda crítica ou não?

Obviamente não. Feve levar em consideração somenta as criticas que mostrem mínima compreensão da abordagem em sua especificidade. Quem aceita qualquer crítica fica sem referencial.

  1. Qual o critério para separa o joio do trigo?

Normalmente a crítica útil contém uma análise e não somente uma expressão de gosto. A crítica útil também não reduz uma obra qualquer a um só elemento, mas contempla o todo. A crítica a apenas um elemento de uma obra já em si denota ser análise tosca.

  1. Quais os elementos que são digamos a parte objetiva das críticas?

Paradoxalmente, como bem mostrou o Rodrigo, o simples gostei ou não gostei tem certo grau de objetividade por denotar uma recepção da obra. Mas além disso há uma observação dos meios técnicos e da relação entre a intenção (a tal idéia-presidente) e os meios com que foi perseguida. Nesse sentido os meios técnicos tornam-se obetivos em relação à intenção maior.

Acrscento que fotografia não é uma obra aberta, e não cabe ao crítico aperfeiçoar a foto. Pode falar da relação entre intenção e meios, mas não inventar aperfeiçoamentos, pois isso é romper a barreira autor-crítico, que é palpável. O crítico antes de tudo tem de, para fazer uma c´ritica útil, abandonar completamente o desejo de co-autoria. Talvez o mais danoso viés da cr´tica seja este desejo, que a torna sempre inútil…

Eu acho que uma resposta só é válida para sua pergunta:

Tudo depende de quem recebe a crítica.


É o mesmo que dizer que toda crítica é válida e que o problema são os criticados e como toda afirmação totalizante, não pode ser verdadeira.

A questão, Guto, é que criação não é democracia. Criação é o ato de uma personalidade definida, e essa personalidade cria a partir de suas idiossincrasias, não a partir do gosto comum.

Quem não preza suas idiossincrasias não é um criador, é no máximo um repetidor hábil. Quem só produz para agradar a todos não é um criador.

Ivan, não concordo.
Crítica existe para ser difundida. Você pode gostar ou não…você pode absorver ou não.
Depende do seu bom-senso, da sua maturidade, do seu grau de satisfação e do seu ego.
Um artista se for fazer sua obra para ser admirada somente do jeito que ele pensou e elaborou, deixa de ser um artista e passa a ser um matemático. A essência da arte é a interpretação pessoal. Tolher a crítica é quebrar um paradigma artístico. O artista que quer então que sua obra seja admirada única e exlusivamente do jeito que ele pensou em sua concepção deve então providenciar um “manual da obra”. Ficaria estranho, não ?
Para mim, a explicação do “faria desta forma” que você condenou é justamente a base para troca de experiências, e fechar isso é extremamente prejudicial. Pq não pode haver debate ? Pq o que o outro enxerga ou “quer fazer” deve ser ignorado ? Só porque não é ele o autor ? Eu gosto muito quando nas minhas fotos as pessoas criticam dizendo como elas fariam, pois isto enriquece minha visão ao permitir enxergar a minha imagem com os olhos e composições alheios.

Eu acho que uma resposta só é válida para sua pergunta:

Tudo depende de quem recebe a crítica.


É o mesmo que dizer que toda crítica é válida e que o problema são os criticados e como toda afirmação totalizante, não pode ser verdadeira.

A questão, Guto, é que criação não é democracia. Criação é o ato de uma personalidade definida, e essa personalidade cria a partir de suas idiossincrasias, não a partir do gosto comum.

Quem não preza suas idiossincrasias não é um criador, é no máximo um repetidor hábil. Quem só produz para agradar a todos não é um criador.


Ivan, você respondeu enquanto eu escrevia…rs…vou complementar: vc está misturando as coisas.
A criação não é uma democracia, mas sua admiração ou crítica é.
A partir do momento que você expõe sua criação, liberta a obra a críticas.
E no mesmo instante que você quer “filtrar” as críticas, coloca-se em um patamar acima dos “seres comuns”. Então não entendo o motivo da criação artística exposta. Ou cria-se para realização pessoal e não mostra para ninguém, ou cria-se para realização pessoal e coletiva e compartilha suas experiências com todos. Isso inclui as críticas e elogios.

Ivan, não concordo. Crítica existe para ser difundida. Você pode gostar ou não.....você pode absorver ou não. Depende do seu bom-senso, da sua maturidade, do seu grau de satisfação e do seu ego. Um artista se for fazer sua obra para ser admirada somente do jeito que ele pensou e elaborou, deixa de ser um artista e passa a ser um matemático. A essência da arte é a interpretação pessoal. Tolher a crítica é quebrar um paradigma artístico. O artista que quer então que sua obra seja admirada única e exlusivamente do jeito que ele pensou em sua concepção deve então providenciar um "manual da obra". Ficaria estranho, não ? Para mim, a explicação do "faria desta forma" que você condenou é justamente a base para troca de experiências, e fechar isso é extremamente prejudicial. Pq não pode haver debate ? Pq o que o outro enxerga ou "quer fazer" deve ser ignorado ? Só porque não é ele o autor ? Eu gosto muito quando nas minhas fotos as pessoas criticam dizendo como elas fariam, pois isto enriquece minha visão ao permitir enxergar a minha imagem com os olhos e composições alheios.

Guto, desculpe-me, mas não é assim. Veja, toda arte tem campos de especificidade e toda arte tem um público treinado para ela. Só na arte-pop é que o público é treinado pela mero conviver em sociedade.

Já disse várias vezes isso. Peque uma pintura de um pintor de rua e pegue uma pintura do Mabe. Peça para 50 transeuntes dizerem qual é melhor, e 49 dirão que a boa é a do pintor de rua com a cara enrugada do velhinho de cachimbo. Olha que pegue um artista abstrato fácil de gostar, que é o Mabe, pois se pegar um realmente espc´cifico a proporção vai a 1/1000.

mas cá entre nós, para a história da arte o pintor do velhinho de cachimbo é irrelevante. Se voc~e igualar toda a crítica, estará igualando a crítica do cara que nunca se preocupou com arte com a crítica do público formado no assunto.

A partir de certo patamar a contemplação artística exige do observador uma formação.

Um músico de música concreta não pode dar sequer atenção a um ouvinte mediano que diga que sua música é esquisita, do contrário ele sucumbiria e faria música-pop.

Não, Guto, as c´riticas não são todas válidas. Não se pode achar que o cara que acabou de ouvir falar de flash de enchimento e critica todas as fotos dizendo que deveria ter sido usado flash de enchimento (já li dúzias disso) deva ser levado a sério.

E no mesmo instante que você quer "filtrar" as críticas, coloca-se em um patamar acima dos "seres comuns".

Isso parece ser a grande “fantasia”. É claro que temos de filtrar as cr´ticas. Não se trata de se achar superior, mas de meramente entender que há uma assimetria de formação no mundo, e que essa assimetria de formação produz críticas assimétricas.

Você não acha que quando os impressionistas criaram o impressionismo eles estavam exatamente dizendo aos tradicionalistas (grande maioria) que os recusamvam euq não achavam válidas as críticas deles?

O voc~e acha que alguém faz alguma coisa que saia do feijão com arroz sem ouvir críticas medianas e conservadoras?

Dando importãncia a qualquer crítica o mundo não roda.

Ivan, não concordo. Crítica existe para ser difundida. Você pode gostar ou não.....você pode absorver ou não. Depende do seu bom-senso, da sua maturidade, do seu grau de satisfação e do seu ego. Um artista se for fazer sua obra para ser admirada somente do jeito que ele pensou e elaborou, deixa de ser um artista e passa a ser um matemático. A essência da arte é a interpretação pessoal. Tolher a crítica é quebrar um paradigma artístico. O artista que quer então que sua obra seja admirada única e exlusivamente do jeito que ele pensou em sua concepção deve então providenciar um "manual da obra". Ficaria estranho, não ? Para mim, a explicação do "faria desta forma" que você condenou é justamente a base para troca de experiências, e fechar isso é extremamente prejudicial. Pq não pode haver debate ? Pq o que o outro enxerga ou "quer fazer" deve ser ignorado ? Só porque não é ele o autor ? Eu gosto muito quando nas minhas fotos as pessoas criticam dizendo como elas fariam, pois isto enriquece minha visão ao permitir enxergar a minha imagem com os olhos e composições alheios.

Guto, desculpe-me, mas não é assim. Veja, toda arte tem campos de especificidade e toda arte tem um público treinado para ela. Só na arte-pop é que o público é treinado pela mero conviver em sociedade.

Já disse várias vezes isso. Peque uma pintura de um pintor de rua e pegue uma pintura do Mabe. Peça para 50 transeuntes dizerem qual é melhor, e 49 dirão que a boa é a do pintor de rua com a cara enrugada do velhinho de cachimbo. Olha que pegue um artista abstrato fácil de gostar, que é o Mabe, pois se pegar um realmente espc´cifico a proporção vai a 1/1000.

mas cá entre nós, para a história da arte o pintor do velhinho de cachimbo é irrelevante. Se voc~e igualar toda a crítica, estará igualando a crítica do cara que nunca se preocupou com arte com a crítica do público formado no assunto.

A partir de certo patamar a contemplação artística exige do observador uma formação.

Um músico de música concreta não pode dar sequer atenção a um ouvinte mediano que diga que sua música é esquisita, do contrário ele sucumbiria e faria música-pop.

Não, Guto, as c´riticas não são todas válidas. Não se pode achar que o cara que acabou de ouvir falar de flash de enchimento e critica todas as fotos dizendo que deveria ter sido usado flash de enchimento (já li dúzias disso) deva ser levado a sério.


Ivan, mas aí é simples: o artista só deve divulgar sua obra, circular e se relacionar com os “do meio”, pois assim só receberá críticas baseadas na técnica.
Isso acaba transformando a arte numa ciência exata.

Ivan, mas aí é simples: o artista só deve divulgar sua obra, circular e se relacionar com os "do meio", pois assim só receberá críticas baseadas na técnica. Isso acaba transformando a arte numa ciência exata.

Se for observar, nas artes termina havendo isso mesmo.

Não são críticas baseadas na técnica, Guto, mas, cá entre nós, quantas pessoas voc~e conhece que são capazes de ouvir uma obra do John Cage e gostar? Não se gosta do Cage pela técnica, mas pela educação do ouvido para lidar com outras sonoridades.

Você acha que isso é problema do John Cage? Né não…

Agora, quantas pessoas são capazes de ouvir o Capital Inicial e gostar? Muito mais não é verdade? Mas e daí? isso faz do Capital melhor que o Cage? O Cage deveria fazer pop para ser popular? Ser popular é a medida da excelência artística?

E no mesmo instante que você quer "filtrar" as críticas, coloca-se em um patamar acima dos "seres comuns".

Isso parece ser a grande “fantasia”. É claro que temos de filtrar as cr´ticas. Não se trata de se achar superior, mas de meramente entender que há uma assimetria de formação no mundo, e que essa assimetria de formação produz críticas assimétricas.

Você não acha que quando os impressionistas criaram o impressionismo eles estavam exatamente dizendo aos tradicionalistas (grande maioria) que os recusamvam euq não achavam válidas as críticas deles?

O voc~e acha que alguém faz alguma coisa que saia do feijão com arroz sem ouvir críticas medianas e conservadoras?

Dando importãncia a qualquer crítica o mundo não roda.


Ivan, essa sua afirmação me fez pensar.

Veja quando vc ouve a crítica e a aceita a ponto de achá-la interessante se modifica a partir dela, não? o Expressionismo não foi isso? Veja os tradicionalistas pregavam uma coisa que alguns artistas viam de forma oposta, vc acredita que sem a crítica contrária eles teriam feito o movimento chegar onde chegou?

Eu acho pouco provável, afinal quando se é questionado busca-se sempre melhorar e a melhora não necessariamente vai na direção da crítica, a partir do momento em que se fecham os ouvidos para a crítica, faz-se apenas algo para consumo pessoal e não para ser visto e discutido.

Se eu acredito que estou certo, não farei sempre a mesma coisa do mesmo jeito? Ou pelo menos com pouca alteração, afinal a inquietação não existe. Com a crítica boa ou má sempre surge a oportunidade de responder a crítica feita.

Faço coro ao pessoal, dizendo que muitas críticas não só podem como devem ser descartadas!

Vendo as coisas por um viés diferente dos colegas, que mais estão preocupados com arte: imagine uma mãe coruja que tira fotos dos seus bebês e põe na internet, com o maior gosto. Pôxa, tem várias.

Pois bem, eu estaria fazendo um desserviço gigantesco se dissesse a ela que as fotos são ruins, que eu tô cansado de ver foto de bebê daquele jeito, todas iguais e bla bla bla. É um absurdo, é uma crítica totalmente descabida, pois eu estou sendo tirano a ponto de ir contra as intenções que aquela pessoa colocou para sua fotografia.

É como eu disse: a idéia que fica por trás de críticas desse tipo é a tirania de querer, num auge de infantilidade, que toda a fotografia do mundo seja feita para agradar a você. Como sabemos, não é.

Abraços!

– thiago

Faço coro ao pessoal, dizendo que muitas críticas não só podem como [b]devem[/b] ser descartadas!

Vendo as coisas por um viés diferente dos colegas, que mais estão preocupados com arte: imagine uma mãe coruja que tira fotos dos seus bebês e põe na internet, com o maior gosto. Pôxa, tem várias.

Pois bem, eu estaria fazendo um desserviço gigantesco se dissesse a ela que as fotos são ruins, que eu tô cansado de ver foto de bebê daquele jeito, todas iguais e bla bla bla. É um absurdo, é uma crítica totalmente descabida, pois eu estou sendo tirano a ponto de ir contra as intenções que aquela pessoa colocou para sua fotografia.

É como eu disse: a idéia que fica por trás de críticas desse tipo é a tirania de querer, num auge de infantilidade, que toda a fotografia do mundo seja feita para agradar a você. Como sabemos, não é.

Abraços!

– thiago


Thiago desse ponto de vista sim, mas vc não concorda que essa é uma situação extrema de uma pessoa totalmente sem tato?

Eu penso que quem coloca fotos dos filhos quer comentários sobre os mesmos ( e no caso elogiosos), agora não é diferente de uma análise sobre uma foto?

Thiago desse ponto de vista sim, mas vc não concorda que essa é uma situação extrema de uma pessoa totalmente sem tato?

Eu penso que quem coloca fotos dos filhos quer comentários sobre os mesmos ( e no caso elogiosos), agora não é diferente de uma análise sobre uma foto?


Hey Alex!

De fato é uma situação extrema, por isso mesmo que eu a escolhi como ilustração.

Mas acredito que coisa semelhante pode ocorrer com a análise de uma foto. É o que acontece quando, por exemplo, alguém critica certos elementos da foto sem ter consciência de que eles fazem parte de toda uma proposta estética.

Ou ainda, fazer o mesmo, isto é, criticar os elementos, mas não por desconhecimento da proposta estética, mas sim em expressão de uma falta de identidade com ela, sem dizer explicitamente isso. Existem estilos de fotografia que não me agradam, e se eu disser que não gosto de uma foto, acho necessário dizer isso, que aquele tipo de foto é que não me agrada.

Enfim, você pode muito bem fazer uma análise ruim, que não ajuda em nada, por mais bem-intencionado que seja. É como falei: escrever, de maneira geral, é algo difícil, e toma tempo. Coisa que nem sempre temos. E é justamente por isso que, sem tempo, dificilmente escrevo análises das fotos dos colegas. :slight_smile:

Abraços!

– thiago

Vocês me desculpem, mas achar que toda crítica deve ser considerada é quese uma ingenuidade. É um pensamento igualitário ingênuo. Os homens são iguais em seus anseios, devem ter oportunidades iguais, direitos iguais, etc, mas com o passar do tempo e formação de personalidade os homens especializam-se em áreas distintas, e não há mais simetria entre todos os seres humanos dentro de cada uma delas.

Existe uma coisa obvia em toda produção cultural: a maioria gosta de coisas fáceis de gostar imediatamente e não tem paciência para nada mais exigente. Isso pode ser observado na música, na literatura, na poesia, na pintura, em tudo, e na fotografia não seria diferente.

Há duas propostas fundamentais no campo da produção cultural: há os que fazem para agradar à maioria. leandro e leonardo, Roberto Carlos, etc. Há os que fazem para agradar a um certo tipo de gente e por um acindente do destino agradam a muitos (beatles), e há os que fazem para dialogoar com determinadas idéias estéticas que constituem especializações da cultura.

A arte de massas é repetitiva e permeada de chavões. São recursos diretos. No caso da fotografia, vamos lá, tomemos fotos de flores. Gente, a coisa mais fácil e fazer uma foto bonita de flor. Vá até o florista da esquina, compra meia dúzia de flores, sente em casa com tripé uns dois rebatedores e uma iluminação furreca mas controlada e fará fotos vistosas. Quantas dessas eu já vi? Centenas, milhares. Vá ao jardim, pegue uma flor e fotografe. A flor é bonita, é colorida , a foto agrada á primeira vista. Mas… Quantos segundos você lembrará da foto depois que parar de vê-la? Você a esquece imediatamente, pois não há nada nela que não seja confirmação da beleza fácil. O mesmo para pores-do-sol, etc.

A maior parte das pessoas não tem NENHUMA formação estética. Elas não se educaram para isso, e é natural que não a tenham, e aí é o pior: por absoluta falta de humildade imaginam que têm aquilo que não pagaram para ter. Se são dentistas, sabem que tratar dos dentes foi aprendido. mas no terreno estético julgam que o Espírito Santo as iluminou no nascimento. na verdade, o Espírito Santo que as ilumina cotidianamente é a estética fácil da publicidade, e aí tornam-se não apenas reprodutores desta estética (e não criadores} como também passam a julgar o mundo e tudo a partir desta estética empobrecida.

Dizer que todos e cada um podem formular críticas válidas é o mesmo que dizer que cada um e todos podem com um alicate e uma chave de fenda realizar um tratamento odontológico. É achar que no campo da estética as pessoas nascem prontas, e aí não tem jeito, é tal o grau de convencimento que não se pode nem argumentar.

Se em nenhuma área a opinião do público destreinado tem valor, por que na área da estética teria?

Vejam bem, quando falo de crítica falo de algo que se pode considerar para mudar um ponto de vista ou um aperfeiçoamento pontual. Falando francamente, são raríssimas as críticas que vejo, não apenas a mim, desta qualidade. A maioria é completamente sem nenhum critério, é meramente o “gostei” correspondendo a “bem, isto está parecido com o que vi na revista, então é bom”.

Quase nenhuma crítica que vejo escrita em fórins tem com preocupação a proposta do fotógrafo. Se tem uma cor que o cara acha que não está igual a da Canon, ele diz “a cor está estranha”. Esquece que as cores dos filmes sempre foram em algum grau estranhas, mas tudo bem, o padrão novo é como sai da câmera digital, e aí o “estranho” é tudo o que foge ao padrão.

Noventa e nove por cento das cr´ticas só aponta em uma ffoto aquilo que o cr´tiico vê como defeito. Um “crítico” observa uma foto que tem diversas opções de fotometria, de composição de tratamento simbólico do objeto, etc, mas parece que só consegue ver que no fundo da cena tem uma garrafa que o incomoda. Tudo na foto ele resume à garrafa que seu preconeito estético diz que não deveria haver ali, pois não há garrafas fora de lugar em fotos publicitárias. Isso é profundamente vazio e tolo, é profundamente egóico, pois no fundo o que há é vontade de diminuir a produção alheia. Tudo pode ser resumido a “odiar o que não compreende”

A arte é para todos. Mas não é para todos em seu estado natural, mas para todos os que a mama e prodcuram acercar-se dela. Em anos passados em Friburgo fui a alguns espetáculos de música erudita lá. Ao mesmo tempo, aconteciam espetáculos de música popular. Uns tinha 2000 pessoas, outros 200 pessoas. Todos eram gratuitos, mas somente 200 pessoas queriam ir nos de música erudita, havia lugar para todos, em corerias, etc. Bem, ao fim e ao cabo, na hora de julgar uma execução, será que o cara que gastou seu tempo assistindo o “Tchan” tem o mesmo cri´terio dos duzentos que procuram assistir à dita música clássica? Isso é tolice. Vejam, ambos os espetáculos eram gratuitos, mas simpesmente a maioria não quer nada de difícil ou de mais difícil apreensão, então, sendo a arte para todos, nem todos a querem, e é bobagem dizer que esses que nunca a quiseram têm condição de formular críticas válidas.


Alex. Os Impressionistas (não Expresionistas, isso já foi outro movimento que já encontrou as porteiras da arte mais abertas) foram severamente combatidos pela arte oficial. Sua produção não é devida a essa crítica, mas unicamente à persist~encia de um grupo em seguir suas verdades. É um caso clássico da História das Artes de ignoramento da crítica.

Exemplo de absurdo crítico.

Quando entrei no fórum BrFoto estava rolando um debate acirrado. O Danyel, fotógrafo que gosta de fotografar garotas e fazer books, havia postado umas cinco fotos de uma menina linda e muito bem fotografada. Todas as fotos ótimas, cores quentes, luminosas, com e discreto uso de rebatedores e enchimento, a menina em boas expressões, boas posaes, o fundo (binquedos em um playground) coloridos e alegres.

Pois bem, sabem qual a polêmica? Pois de tudo o que ele apresentou, em nível certamente superior à quela que quase todos os críticos tinha condição de fazer, a grande maioria só conseguiu dizer que em uma determinada fotodava para se notar a lente de contato azul que a menina por vaidade usava…

Entendem… pelo menos cinco fotos (era mais, era um ensaio) de excelente nível. Tudo o que havia de bom, os críticonão conseguiam dizer, mas foram procurar em uma foto o único defeito que conseguiram encontrar, e deram a esse defeito a isntância de julgamento de toda obra.

Desculpem-me a sinceridade, mas isso não dá para levar a sério. Não dá mesmo. O Danyel, muito bem, parou de postar seus ensaios nos fóruns. Fez muito bem, pois receber esse tipo de iinsanidade coletiva ninguém merece. Infelizmente isso termina sendo o caminho. Há um momento em que não dá mais para lidar com esse tipo de manifestação redutora. No caso das fotos do Daniel, o que motivou tais críticas? Será que uma lente de contato em uma foto é parãmetro para julgar todo um ensaio? Não srá sintomático que tão poucas pessoas tenham conseguido elogiar o excelente trabalho e tantos se pegaram na lente para quase linchá-lo?

Eu mesmo já recebi tanta crítica sem pé nem cabeça que só mesmo ganhando casca para não me importar. O cara vi observar a foto como se fosse o jogo-dos-sete-erros. A ele parece não interessar absolutamente o que a foto tem de bom, só a sanha de encotrar um defeito para botar em relevo.

E achar que isso vale alguma coisa? PelamordeDeus. Isso é nada. Vejo a obra do Danyel. Ela é alguma coisa. Com lente aparecendo ou não, ela é alguma coisa.

Esse é apenas um exemplo dessa sanha irracional.

Subjetividades à parte prefiro comentar os trabalhos que vejo à
partir da forma como os sinto.
Até por que não me considero tão profundamente conhecedor de
técnicas fotograficas para fazer comentários sob estas luzes.
Um pouco de convivência com o mercado de arte que me obrigou a frequentar galerias,museus, ateliers, livrarias atrás de ver livros de arte que nem sempre meu bolso podia alcançar, me faz olhar as fotografias da mesma forma: como obras de arte.
Sendo assim sinto-me pouco à vontade para maiores comentários além daqueles que a minha satisfação pessoal produz.
Já recebi críticas sobre meus trabalhos, mas, nunca me deixei influenciar porelas exceto no tocante a encontrar alguma informação que me ajudasse a melhorar.
Acredito que aquele que se propuzer a fazer críticas deve, acima de tudo, possuir uma auto crítica aguçada sobre sua própria condição de crítico.