que idiota fui eu ao acreditar que seria tão fácil.
eu confundi as aparências de automóveis, árvores e pessoas com realidade e acreditei que uma fotografia dessas aparências seria necessariamente uma fotografia delas.
é uma verdade melancólica o fato de que eu nunca serei capaz de fotografar as coisas da realidade e, portanto, só poderei falhar.
eu sou um reflexo fotografando outros reflexos com seus reflexos…
duane michals nos deixou essa semana. sua câmera nunca buscou apenas registrar a superfície. sua obra entrega à eternidade a revolução do invisível na fotografia contemporânea.
michals subverteu o “momento decisivo” com suas sequências narrativas e sua assinatura inconfundível. trabalhando no limite do real, ele ousou fotografar não o que víamos, mas o que sentíamos; mestre das duplas exposições e das sequências, coreografou fantasmas, sombras e espelhos.
michals provou o tempo todo que a câmera serve para algo mais que documentar o mundo: ela pode reinventá-lo.