Minhas astrofotos

Eu tenho feito algumas fotos de Jupiter, usando uma Canon 55-250mm e cropando no maximo. No meu album tem as 4 luas alinhadas, acho que isso só vai acontecer de novo daqui uns 500 anos. Essa foi de ontem:

https://live.staticflickr.com/65535/51497793818_1369eaeacf_c.jpg

As maiores luas de Jupiter (chamadas Galileanas) têm órbitas no mesmo plano, e este plano é praticamente perpendicular à Terra. As luas sempre aparecerão na mesma linha. O que pode acontecer é uma delas estar atrás ou na frente de Jupiter, e aí fica mais difícil (se estiver na frente) ou impossível (se estiver atrás) de se ver. Este fato.

Um dia desses, também fotografei as Nebulosas do Coração e da Alma. Nessa foto, eu já achei que sabia muito, e dei bobeira ao fazer os flat frames, que são as fotos de um fundo uniforme, que servem pra eliminar defeitos tais como vinheta e sujeira no conjunto ótico. Fiz os flat frames apontando pra um tablet que mostrava uma tela plana, e esqueci da taxa de atualização do tablet, que fez uns gradientes bem pronunciados aparecerem. Como resultado, tive que empilhar sem os flat frames e usar somente a parte central da imagem resultante, pois as bordas ficaram bem escuras.

Como curiosidade, assim ficou um dos flat frames dessa sessão, que não pude usar:

Agora, sim, essa será a última vez nessa temporada
E
com meu equipamento atual a postar foto deste fascinante objeto celeste.
Empilhada no ASIStudio, tratada no Affinity Photo com Starnet++.


by , no Flickr

Impressionante o poder de um bom processamento. Ainda estou aprendendo, mas reprocessei os mesmos dados desta imagem de mais de um ano atrás. Como sempre, clicando na imagem é possível ver em tamanho maior.

Sexta passada, eu fotografei a Messier 22, que é um aglomerado de estrelas bastante brilhante, que pode ser visto a olho nu em lugares de céu limpo. Situa-se a cerca de 400 anos-luz do nosso planeta, e possui mais de 70 mil estrelas. A luminosidade na diagonal inferior/esquerda da foto é a Via Láctea.


by

Há outros aglomertados estelares nas redondezas:

Legais essas Felipe !

Consegue fotografar 47-Tuc e Omega Centauri daí do TX ?

A Omega Centauri ainda é visível, mas muito baixa no horizonte. Teria que ir em um lugar alto e bem limpo. A 47-Tuc, sem chance. Fica perto do polo sul! Mesmo a , que fica mais ao Norte, fica perigosamente próxima das árvores do meu quintal. Teria que ir a um morrinho aqui perto de casa (é tudo plano aqui, e o tal “morrinho” é artificial).

Qual a latitude ai ?

29º e uns quebrados. Olha onde fica a Omega Centauri:

É, não dá…

Mas no norte tem umas coisinhas interessantes, como aquelas galáxias espirais lindas de canis venatici =)

Ah, tem!

Aliás, tá na hora de fazer uma nova foto dessa pra comparar a evolução.

Credo vi nesse outro topico que já te perguntei sobre 47-Tuc e Omega Centauri e também da latitude … Que horror hahaha !
:aua: :aua: :aua:

Fiz de novo ontem. Agora usei um novo mount (chegou ontem!) e uma nova câmera. Foram somente 56 minutos de exposição. Imagino que tenha sido o filtro que usei dessa vez (Optolong L-eNHance), mas o azul da Trifídia ficou bem mais aparente na foto antiga, usando minha antiga Fuji X-E2 com filtro STC Duo Narrowband. Ainda assim, gostei bastante do nível de detalhe. Vale a pena ver em tamanho maior.


Excelente ! A parte azul (reflexiva) é mais complicada mesmo. :clap: :clap: :clap:

Mesmo telescópio e filtros, outra câmera e outro mount.

A câmera faz uma grande diferença pela facilidade de download e verificação das coordenadas pelo computador. Além disso, a sensibilidade ao H-alfa faz ver muito mais detalhes na parte vermelha do espectro. O mount é muito mais preciso, e permite o reenquadramento em menos de 1 minuto angular (1/60 de grau). O anterior me obrigava a afastar o telescópio do assunto pra tentar aproximar novamente. Ao mover pequenos ângulos, ou não movia, ou movia demais.

Como sempre a resolução de um problema nos leva a enxergar outro: Como se pode ver, as estrelas nas bordas estão deformadas, indicando que a câmera está perto demais do último elemento ótico. Além disso, não está paralela ao plano focal, como se pode ver pelos diferentes graus de deformação nos quatro cantos.


A Galáxia do Triângulo tem esse nome não por causa do formato, mas por estar localizada próxima à Constelação do Triângulo. Ela está localizada a 2.73 milhões de anos-luz de nós, e é a terceira maior galáxia do nosso grupo local, atrás da e da nossa Via Láctea.


Foram 40 quadros de 8 minutos cada. Usei minha ZWO ASI294MC Pro (sensor 4/3) com um telescópio Skywatcher Quattro 8" (se fosse uma lente, seria equivalente a uma 800mm f/4). Processei com ASIStudio, Affinity Photo, Starnet++ e Topaz Denoise.

Uma reflexão: o conceito de me intriga profundamente. Esse é nosso grupo de galáxias, contendo as três citadas acima mais 51 galáxias. Mesmo este grupo enorme é somente uma pequena porção do Universo. Nosso grupo faz parte do Supergrupo de Virgem, que ainda assim não é tão grande. Por exemplo, nessa foto aqui, aparece outro grupo de galáxias (foto capturada pelo Hubble):

https://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/potw1842a.jpg

É difícil contar o número de galáxias visíveis nesta foto (o objetivo dela é mostrar como a gravidade distorce a luz. O “sorriso” é formado pela luz de galáxias por trás de outras galáxias.). Mas note que é até difícil contar o número de galáxias nesse grupo.

Frequentemente me perguntam se . Eu acredito que pode haver. Pode ter havido, e pode haver. Mas dado o tamanho do Universo, creio que o período em que um planeta abriga vida é mais ou menos como tentar capturar relâmpagos usando velocidade 1/100. Mais difícil ainda, capturar dois relâmpagos usando a mesma velocidade - um relâmpago seríamos nós, e outro relâmpago, outra civilização inteligente.

Pelo que sabemos até hoje, indícios levam a crer que nosso Universo está expandindo e, mais ainda, esta expansão está acelerando. Não só o espaço está aumentando entre nós e outras galáxias, mas o espaco-tempo. Isso significa que há galáxias dessas onde, nem mesmo viajando à velocidade da luz, por quanto tempo quiséssemos, seria impossível chegar a elas.

Pra responder sobre a vida, então, só poso imaginar que, se existe vida em outros planetas, provavelmente nunca saberemos. Primeiro porque a vida no planeta como conhecemos é um mero piscar de olhos, e é praticamente impossível comunicarmos com seres de fora da Terra. Tudo isso que vemos em um telescópio é hoje muito diferente do que era quando a luz chegou até nós.


Interessante nessa imagem, além do nome, é o fato de eu ter capturado um asteróide… O rastro dele era visível no empilhamento inicial que fiz no ASIStudio, mas ao refazer no Affinity, ele eliminou. Note o pontinho verde se movendo entre os quadros. Entre os quadros mostrados, há uma diferença de tempo de 14 x 4 minutos=56 minutos. Ainda estou tentando identificar o asteróide. Se ninguém nunca identificou, é meu!

Felipe, você sabe que o stacking do Affinity tem várias opções né ?
Tem uma inclusive que mostra as diferenças entre os frames. Pode ser útil para identificar esse tipo de coisa.

Não sabia dessa, não. Vou olhar. Ao fazer o empilhamento no ASI Studio, vi esse artefato aqui. Nos quadros individuais, dá pra ver o objeto em movimento.

Essa edição não tinha ficado legal. Na tela, ficava, mas quando exportava, estragava. De qualquer forma, eliminei um monte de camadas, e acho que ficou bem melhor.