Disseram-me que a Nikon licenciará oficialmente lentes de foco automático de terceiros para montagem em Z apenas se elas complementarem a atual linha de lentes da Nikon , em vez de competir com as lentes Nikkor Z existentes.
Você já pode ver essa estratégia com as atuais lentes Z de terceiros da Tamron : a lente Nikon Z 28-75mm da Tamron não é a mesma que a Nikkor 24-70 f/2.8 , 24-70 f/4 , etc. A lente Tamron 70-300mm f/4.5-6.3 Di III RXD para Nikon Z também é um zoom de distância focal exclusivo na programação.
Este não é o caso das lentes de foco manual – a Nikon pode autorizar as mesmas distâncias focais dos modelos Nikkor Z já existentes – por exemplo, a maioria das lentes Voigtlander Z tem o mesmo equivalente de distância focal Nikkor.
Não sei se faz muito sentido isso aqui. Pelo exemplo, bastaria adicionar 10mm na distância focal de uma lente zoom longa pra Nikon autorizar. Deve ter mais coisa nisso aí.
Esses dias vi um review da Tamron 18-300 para APSC Sony e Fuji. Fiquei impressionando com as fotos tiradas para um lente zoom dessas. Fiquei pensando: porque Canon e Nikon se recusam a abrir seus protocolos de focagem para empresas terceiras?
Um artigo que li num blog de um lojista de câmeras da Irlanda, citava algo interessante que dizia o seguinte: Canon e Nikon gastaram milhões para desenvolver a patente dos encaixes RF e Z. Dai este custo se paga com a venda de lentes para o sistema e câmeras.
Nas DSLR houve uma época quando a Sigma lançou a série Art e a Tamron lançou a série SP2 (visto que a série SP foi criada em 1978), lá por 2014, as lentes genéricas de Sigma/Tamron/Tokina , vendiam mais juntas do que as próprias lentes da Nikon. E isso que elas faziam engenharia reversa.
Imagino que Canon e Nikon estejam vendendo para bancar seus custos e só daqui a alguns anos termos lentes genéricas para esses sistemas. Uma pena, pois a Sony tem um leque tão incrível de lentes de terceiros com autofoco, que nenhuma marca chega aos pés.
Dá a entender que como não podem fazer que nem os fabricantes de software nessa moda de assinatura, então querem manter a fidelização na marra, aproveitando para mater os sistemas antigos que eram mais abertos.
A Fuji e a Sony tem uma abordagem bem mais inteligente.
Sem dúvidas, a Sony principalmente tem uma abordagem infinitamente melhor para lidar com as licenças de tecnologias de foco automático .
O que pra mim não deixar de ser uma burrice da Canon em fazer isso, pois existem modelos de lentes genéricas que não tem equivalentes no mercado. Alguns exemplos:
Tamron 17-70 2.8 VC APSC - a primeira 17-70 de abertura 2.8 da história;
Tamron 28-75 2.8.
Pegando as antigas de DSLR:
Sigma 18-35 1.8 e Sigma 50-100 1.8 - Duas lentes fantásticas;
Tamron 18-400;
Sigma 12-24;
Tokina 11-16 e 11-20 2.8 .
Canon e Nikon simplesmente não tem modelos equivalentes dessas lentes , com um preço menor. No Mount RF-S então , só há lentes de kit por enquanto.
Tem que ver o que cada marca oferece e não oferece, dentro do tipo de fotografia que faz e do bolso.
Se existe uma provável encrenca, que ira complicar a vida… Não vale a pena.
Este problema existia muito nas DSLRs porque as fabricantes como Sigma, Tamron, Tokina eram obrigadas a fazer engenharia reversa para criar um motor de foco para as suas lentes se comunicarem com o protocolo de focagem das câmeras. O problema era de velocidade e precisão. Com as mirrorless este problema foi praticamente resolvido, devido ao sensor de foco das mirrorless ser feito direto no sensor.
Tem muito a questão da imagem da marca da empresa para o consumidor. A curto prazo a Canon está tendo bons lucros com o sistema RF, mas que essa questão de lentes genéricas está pegando mal para a Canon isso está. E não falo do Brasil: em vários fóruns de fotografia europeus e norte-americanos isso têm ocorrido. A médio e longo prazo a decisão não é boa para a Canon e não é boa para o consumidor.
Nem Canon, Nikon, Sony ou Fuji ou qualquer outra pode impedir fabricantes de lentes de produzirem lentes manuais para suas respectivas câmeras. Lentes manuais não infringem as patentes eletrônicas das câmeras que são protegidas por lei específica de onde a patente foi criada. Essas patentes atingem , principalmente, os métodos eletrônicos de autofoco das lentes e câmeras.
A maior prova disso é que há dezenas de fabricantes chinesas de lentes com foco manual e sem comunicação eletrônica com a câmera. A Canon não pode impedir esses fabricantes, porque não há violação de patentes . Já a Viltrox , pelas leis, violou as patentes: ela não pode produzir lentes de foco automático para o sistema RF sem pagar os royalties devidos ou entrar em acordo com a Canon.
A fabricante de lente genérica só entrará na produção se existir um acordo lucrativo entre as partes como tem acontecido com a Nikon Z 28-75 2.8 que é na verdade a mesma lente da Tamron , mas com o “nome” da Nikon estampado.
Até o momento Sigma e Tamron permanecem em silêncio sobre a produção de lentes para o sistema RF e , em partes, para o sistema Z.
É fato que a empresa criou seu respectivo mount atualizado gastando uma fortuna nisso.
Então eles não querem perder a grana das novas objetivas.
Dava sinais que a Nikon iria copiar a fórmula de sucesso da Sony, porém, essa notícia veio como um balde de água fria.
A empresa está em baixo nas vendas comparado a C/S e teria de fazer isso e muito mais para tentar frear o crescimento principalmente da fabricante do Playstation.
Eu vejo em fóruns e YT muita gente que é usuário da C/N querendo pular fora por esse motivo.
E novamente a grande beneficiada é quem?
Apesar de alguns pontos negativos como cores, pegada, lcd com baixa fidelidade entre outros eles acabam vencendo com essa jogada.
Quem não quer uma lente que se comporta como nativa, tendo uma qualidade óptica 90% da original pela metade do preço?
Canon e Nikon na época da DSLR não ligavam tanto para isso pois a baioneta era antiga e as patentes já tinham ido fazia tempo.
A qualidade ótica era meia boca (sim, melhorou de 2010 para cá), o auto foco era inconsistente e a rede de autorizadas é limitada.
Tirando a questão da assistência oficial tudo mudou para melhor e isso começou a incomodar.
Com as novas patentes dos mounts mirrorless, eles conseguem legalmente impedir a produção de terceiros que venha a competir com seus produtos. Talvez seja necessário para que sobrevivam. Eu não sei. O que eu aponto é que as lentes 2.8 Tamron oferecem a oportunidade para iniciar uma experiência dentro do mount Nikon. É positivo. As lentes 1.8 são nítidas, tem foco interno, seladas, silenciosas. O que não me é tão atual para esportes e casamentos, e o foco da Z6 series. O que na minha opinião tem causado um impacto negativo nesses nichos e dentro desse poder aquisitivo.
E me incomoda dizer isso. Talvez não tenha escolha, talvez estejam certos. Mas ao menos iluminação flash… profoto ou sei lá… deveria ser pensada na Nikon .