Você fotografa para você mesmo ou para os outros?

Tem outra questão tbm relacionada ao assunto que é sobre aquilo que Freud, Flusser e os psicólogos profissionais explicam, sobre o “senso de pertencimento a um grupo social”, solidão e seus desdobramentos. Não sou psicólogo pra falar sobre o assunto, mas é um mecanismo meio assim, o cara deseja ser reconhecido pelo “grupo” de pessoas que gostam de fotografia de maneira satisfatória, ou melhor, de acordo com o que ele acha satisfatório para ele mesmo, e quando não consegue, fica chateado.

idem

Se faço minhas fotos pra mim, ou pros outros? Claro que é pros outros. Eles têm que gostar. Se não gostarem, não me contratam, se não me contratam, pensão do bochechudo atrasa. :hysterical: :hysterical:

E vou além: fazendo uma autoanálise aqui, não me acho o grande artista não, igual alguns caras pensam, “ain minha foto é uma arte.”
Eu faço fotos de pessoas arrumadas, em momentos felizes, em lugares bacanas. Tenho “obrigação” de fazer boas fotos. Claro que, para aquela mãe, o seu filhinho é arte. Para o marido, ver a noiva entrando na igreja com um sorrisão, é arte.
Fotografia pra mim é trabalho. Me esforço para fazer bem, fotos bonitas que agradem as pessoas. Mas dizer que sou o pica das galáxias, sou não.

A primeira coisa é que eu sou o maior crítico de mim mesmo. Dificilmente a crítica de alguém vai me perturbar a ponto de me surpreender. Na verdade, o contrário normalmente acontece. A crítica fundamentada me faz ver o quanto ainda preciso aprender.

Minha produção atual é bem baixa, mas todas as minhas fotos que considero boas serão vistas por outras pessoas, porque vão pra nuvem e passam pro protetor de tela da TV. As ruins, eu não quero que ninguém veja mesmo. Como eu falei, sou o maior crítico de mim mesmo.

Fazendo uma análise íntima, eu fotografo esperando tirar boas fotos. E gosto de publicar minhas boas fotos. Juntando as duas afirmações, o destino das minhas fotos é que os outros vejam. A proporção é que é o problema! :doh:

Obviamente que faz muita diferença quando se trata de um fotógrafo profissional ou amador… Um profissional tem que fazer primordialmente para os outros, ou não tem como sobreviver. Um amador pode fazer exclusivamente para si, mas se está inserido num grupo, se pretende que suas fotos tenham algum reconhecimento, é possível que acabe tentando se ajustar ao gosto de outras pessoas.

Eu, pessoalmente, só fotografo para mim, hoje em dia. Não tenho redes sociais e não costumo postar mais minhas fotos, até por julgar que não teriam nada de interessante para outras pessoas. São fotos tecnicamente corretas mas com conteúdo da vida cotidiana, que seriam totalmente banais para quem não viveu aqueles momentos.

Excelente ponto !

Eu andei pensando nisso nos últimos meses que é basicamente o que eu quero com a fotografia. Depois de décadas de paixão por essa arte, ela pareceu ter morrido.

Sempre fotografei o que gosto, do jeito que gosto, não vivo disso, mal ganhei dinheiro com isso ao longo da vida, mas um pouco de reconhecimento é bem vindo e esse, além de não vir, andou me decepcionando. Pessoas que diziam amar minhas fotos, agiram de forma completamente diferente.

Mesmo que digam que sou bom, se ninguém age como se eu fosse, será que sou mesmo ou só falam para me agradar? Será que estou gastando muito tempo e dinheiro em algo que não sou bom e poderia estar gastando com outras coisas? Ainda mais a partir do momento em que aquilo deixou de me dar prazer.

Que artista faz seu trabalho sem pensar no mínimo de reconhecimento. Acho que até o momento o único exemplo que temos de alguém que produziu muita arte sem nem se preocupar em mostrar foi mesmo a Vivian Maier (até porque se ninguém achou a obra, ninguém ainda sabe sobre o artista). Eu toco guitarra para me satisfazer mesmo, não faço a menor questão de que outros ouçam, mas com a fotografia é diferente.

Ando me questionando isso tudo e ainda não achei uma resposta para mim, mas gostei bastante das opiniões de vocês.

Diferente como? Ambas são formas de arte. A não ser que você queira seguir ganhando a vida (ou ajudando no sustento) com uma dessas formas, a princípio seria a mesma coisa. Mas você saber qual é a diferença (pra você) vai ajudar a responder muitas questões.

Tanto na música quanto na fotografia, quem vai se dar melhor não é necessariamente o melhor, mas quem sabe vender melhor seu trabalho.

Depois de mais velho, na música, aprendi a me ouvir como se eu fosse outra pessoa. Penso que isso seja muito importante, tanto quando a arte é apreciada quanto quando a arte é vendida.

É porque não ligo se eu toquei a música certinha ou sequer se toquei ela inteira. Às vezes quero aprender o riff, às vezes o solo, não fica bem feito, mas eu não ligo porque me divirto no processo, brincando, sem ninguém ouvir. Se tiver alguém ouvindo vou ficar nervoso, com medo de errar (e acabo errando). Com a fotografia eu já tento ser o melhor possível e então se quem está “ouvindo” minha foto não gostar de algo, vou ficar chateado.

E porque essa diferença entre as duas atividades? Pois claramente o que está te atrapalhando é justamente levar a fotografia a sério demais. Ainda mais se você espera ter um reconhecimento amplo. Porque mesmo que você faça boas fotografias, dentro do seu interesse e corretas tecnicamente, pode ser que algumas pessoas não gostem.

 Fotografar para si mesmo, na minha opiniao tem um ponto fundamental talvez um pouco sutil, que e "acreditar em si" . Talvez na fotografia comercial, a visao do cliente e os aspectos relacionados ao empreendimento parecam ignorar esse ponto, mas eu nao acho que nenhum fotografo consiga trabalhar por muito tempo em algo que ele mesmo  nao acredite, ou que nao se identifique. Podera sobreviver, mas nao vejo como ir para frente. 
 Quanto ao aspecto de ser reconhecido, na minha opiniao, eu diria ser mais importante fazer parte de uma comunidade, ou de alguma equipe de trabalho. Agora, e preciso se identicar em determinada area e esquecer outros aspectos que nao conversam com sua personalidade, evitar canais do youtube que nao temnham sintonia com seu modo de pensar, e aqui mesmo. Procurar grupos ou pessoas que sigam mais ou menos sua personalidade.

Exatamente. Como diz aquela expressão, “dance como se não tivesse ninguém olhando”.

Mas o que seria então “não levar a sério”? Fotografar e deixar as fotos no cartão de memória até alguém achar um dia? As músicas eu nem termino, é 100% recreativo, não é uma paixão como a foto. Tem jeito certo então de fotografar ou viver a fotografia (não de fotografia)?

É necessária uma boa dose de sem-vergonhice. É bem comum meus tópicos sobre astrofoto terem poucos (ou nenhum :doh:) comentário. Não sei se isso quer dizer que minhas fotos são boas ou ruins, mas continuo insistindo.

Uma coisa que eu fiz foi criar um álbum que funciona como screensaver da TV (eu uso Chromecast), e colocar várias astrofotos. à medida que vou evoluindo, olho alguma das fotos mais antigas e penso “caracas, que foto ruim!”, e eu mesmo tiro do álbum, e coloco fotos mais novas. Faça algo parecido. E, se seu álbum não ganhar fotos novas com alguma frequência, pode ser necessário mais empenho.

Essa que é a magia da fotografia.

Você estuda, pratica e uma hora você percebe que evoluiu. É um processo lento e que exige dedicação.

Entao voce gostaria de soltar mais sua fotografia, ter menos pretensão para então alguem encontrar suas fotografias e legitimar o valor delas. Normal, sonhar é bom…

Eu acho que existe um pouco de sorte e felicidade também no trajeto de alguns, alem do prazer e de algum modo um aprendizado.
Geralmente em eventos fotograficos existem workshops e leituras de Portfolio.

Prazer e importante, seja la o modo como voce encara a fotografia.
Mais do que tudo eu diria.
Conhecer pessoas também.
Boa sorte!

P.s obrigado. Você me fez lembrar coisas boas.

Nos ultimos dia fotografei muito para os outros, mes que vem vou dar andamento em um projeto que estou fazendo pra mim. :ok:

Talvez agora tenha entendido o que você quis dizer com “levar a fotografia a sério demais”. Estava revisitando fotos antigas no meu Flickr e tive a impressão de que eram mais legais do que as que eu tiro hoje, embora estas sejam tecnicamente melhores. Acho que três coisas influenciaram nisso:

  • Eu usava câmeras menores, era o que dava pra comprar. Uma Sony Cybershot e uma Canon Powershot com superzoom. Elas são mais discretas, não afrontam as pessoas, o zoom possibilita fotografar de longe.
  • Eu fotografava mais pessoas. Hoje tenho muito mais receio, aprendi a não, digamos, abusar da imagem delas como antes. É um tema bem nebuloso, todos sabemos disso.
  • Eu era mais despreocupado. Não ficava tão preocupado em fazer a foto 100% correta e com um tema bonito. Se eu achava legal, clicava e pronto, era bem mais leve.

Que bom que você entendeu o que eu quis dizer a partir da sua própria experiência. Vale mais do que qualquer explicação ou argumento.