No mundo amador tem um outro fator que pouco é falado, da “sensação do uso” de determinados equipamentos.
No meu caso, o resultado final muitas vezes é apenas uma consequência e muito do prazer em ter a fotografia como passa-tempo está em usar os equipamentos, curtir e até olhar eles… além é claro de ir em lugares lindos, se programar pra fazer uma foto da via-láctea etc..
Pensando desta forma, eu tenho muito mais prazer em sair por aí com minha Zenit 12xp + helios 44m-4 do que com a spotmatic + takumar 50/1.4 mesmo sabendo que essa ultima combinação possui suas outras qualidades e ganha em vários quesitos.
Fatores na fotografia ao meu ver:
1 - Lugar certo / hora certa. Você precisa se programar para ESTAR LÁ.
2 - Olhar fotográfico. Exige estudo, experiência, intervenção divina ou seja lá o que for.
3 - técnica. O mínimo para não cagar com 1 e 2 e ter que fazer milagres na pós.
4 - Equipamento. O mínimo para não cagar com as variáveis 1, 2 e 3 e ter que fazer milagres na pós.
5 - Pós. Aqui é a grande sacada. O pós é MUITO importante, tanto Ansel Adams quanto Sebastião dedicaram e dedicam milhares de horas em edição pra cada projeto.
Ansel dizia em seu livro “the negative” que a captura no negativo deve ser feita pensando na melhor forma de facilitar a Impressão, por isso ele dedicou tanto tempo na técnica do zone system, onde te permite ir ao extremo da informação no negativo sem perder detalhes importantes da cena (conforme definido por você).
NUNCA, JAMAIS um negativo de Ansel Adams foi impresso exatamente igual estava no negativo, muitas vezes utilizou sobreposicao de negativos e até junção de fotos diferentes em várias fotos famosas de paisagens, ou seja, aquilo que se vê na impressão literalmente não existe.
Voltando a 24-105, pra mim é escura, grande, distorce um monte, não tem um desfoque legal (pro tipo de foto que eu gosto) e ainda por cima é cara.
Massss, com certeza uma 1d + 24-105 é melhor do que uma t3i + 18-55
Pra mim as variáveis 1, 2 e 5 são as que mais diferenciam um fotógrafo TOP dos demais como eu que ficam presos em 3 e 4 (técnica e equipamento).
Esse negócio da sensação de uso é duro de admitir mas é verdade. Com todo o equipamento digital tenho uma relação funcional, é igual o macaco do meu carro.
Masssss…com o analógico tem toda uma questão lúdica…o visual da OM-1 e da SRT-101, e toda a história que está inserida em projetos como estes (1972 e 1966) é algo muito forte mesmo.
Agora eu realmente acho que uns caras como Sebastião Salgado, MC Curry, Araquém Alcantara, não demonstram nenhum tipo de apego não.
Depois que me acostumei com as objetivas f/1.2 e f/1.4, a f/2.8 é escura demais pra mim… :hysterical:
Por isso que abandonei as objetivas “zoom”. Desengonçadas, escuras, durabilidade menor e manutenção cara.
Pois é, questão de gosto mesmo. Todos sabemos que no caso de fotos como as que ele faz, distorções, defeitos não interferem no resultado final, pois são apenas detalhes ridículos a serem vistos perante a obra de arte entregue por ele, seria até uma injustiça olhar as fotos dele e falar “que bordas desfocadas” pois há algo muito além disso a ser apreciada.
Masssss, se fizermos fotos em 24mm com a 24-105 e colocarmos do lado da Takumar 24/3.5 por exemplo, a takumar dá UM PAU em tudo. O que isso significa? Nada.
Com certeza não. São profissionais, vivem daquilo e o equipamento é só uma ferramenta, não é uma curtição. É o mesmo que o Fernando Alonso trocar Ferrari por Mclaren etc… pra eles tanto faz, o que importa é correr.
Eu também, ainda mais agora que eu coloquei split screen na minha 5Dc e lentes mais escuras que F2.8 fica muito ruim pra focar.
As únicas lentes escuras que vivem na minha câmera são a Tak 24/3.5 e a canon 40/2.8, no mais só F2 pra baixo.
Sebastião Salgado é um fotografo singular… Ele faria qualquer trabalho maravilhoso com qualquer equipamento em mãos, pois ele já provou isso. Suas fotos mais impressionantes são da época em que fotografava com Filme, com sua Leica ou com sua nikon F2, usando o aclamado filme da Kodak o Trix-400. O salgado usou muito o foco manual para registrar as belezas e a injustiça da sociedade, registrou tribos, culturas em cada canto do mundo, fotografou a miséria, a guerra, o exodo rural ao campo, o crescimento das grandes cidades e industrias, tudo com cÂmera analógica. O próprio trabalho dele ‘Gênesis’ boa parte foi feita com câmera analógica, ele fez a migração para o digital já trabalhando no projeto “Gênesis”. Hoje se discute muito equipamento, lentes e etc do que a verdadeira essência da fotografia, a fotografia hoje está ficando de lado. Só o fato do cara fazer um trabalho que levou 10 anos e de ter explorado regiões ainda intocáveis pela mão humana, e ele conseguiu através de cada imagem passar um sentimento daquele momento, daquele instante ao expectador… o Salgado é um gênio. O trabalho dele é algo sensacional, ele saiu do fotojornalismo para fotografar a natureza e a criação divina com maestria através do seu olhar apurado, fotos feitas em PB que faz a gente colorir com a mente. Quando fui na exposição 'Gênesis" aqui em SP, fiquei apaixonado por cada fotografia e por ele mostrar de forma especial cada canto do planeta terra, fiquei emocionado … Até nas fotos que ele faz com o digital ele coloca o grão do TriX 400, dando um “charme” todo especial de sua identidade. Não é qualquer fotografo que faz isso, aliás, não conheço nenhum outro fotografo no mundo, ou na história, que explorou tão bem o lado da fotografia social, politica, da fotografia que fala com a sociedade, da fotografia que acusa e que choca e que depois de 40 anos no fotojornalismo resolve fazer um trabalho totalmente diferente, migra para fotografia de natureza, mostrando lugares intocáveis, animais exóticos e dando ainda mais exito ao título do seu trabalho “Gênesis”…simplesmente um gênio e um ser humano sensacional.
O Sebastião Salgado é um ótimo fotógrafo, tem uma ótima equipe de pós, fato! Fui aqui em Brasilia DF na Exposição do seu útimo trabalho, fenomenal. Neste trabalho nota-se muita pós mesmo, tem muito tratamento, mas de muito bom gosto. O tratamento é sem excessos, é simplismente a exaltação da beleza.
Sobre equipamento, ele dedica grande parte da sua palestra a isso, e fala que o digital de hoje supera muito o filme que usou outra hora, inclusive mensiona o fato de seu filho ter feito todo documentario sobre sua vida com apenas uma DSLR.
Gosto do trabalho dele, gosto do PB dele.
O equipamento faz a diferença, mas soma-se ao fotógrafo e a sua sorte.
Nesse documentário que o filho dele fez dá pra ver como ele é FODA. Ele é muito detalhista com as fotos e o tratamento. Apensar de não ser ele quem opera o pós, cada detalhe é ele que gerencia, ele marca na foto original o que ele quer fazer na foto e depois vai cuidando pra que o final saia exatamente como quer.
conheci um cara,uma vez ele disse pra mim que lentes f4 ele nem considera como lente.Beleza,falar assim morando no japao eh facil,queria ver ele ter comprado tudo que ele tinha e morando no brasil,sem toda a grana adquirida daqui..a verdade eh essa,a maioria quer o melhor e mais caro,eu me coloco entre eles,mas na minha gana pelos equipamentos,nunca me passou a cabeca,ter todo o conhecimento de um SS da vida.
A objetiva mais nítida que eu tenho, mas de longe é a EBC Fujinon 60mm F4 da Fuji GA645 Pro.
Não tem uma lente da Canon ou da Nikon que chegue sequer perto.
Voltando ao SS, nem com essa eu consigo fazer alguma coisa que supere ele com uma 50/1.8 de “prástico” da Canon.
Eu estava me segurando para nao dizer. Mas eh exatamente como me senti.
O cara so sabe falar de equpamento o video todo. Que pessoa mais chata.
Parece ser aquele tipo de pessoa com muitos esteriotipos enraizados, que julga a qualidade, experiencia e capacidade de um fotografo pelo equipamento que usa. E por isso estava preconceituosamente com espectativas altas sobre as ferramentas do fotografo. Ja encontrei alguns assim.